Monday, January 19, 2009

Eu estou chorando porque aqui fora ela se foi, mas ainda continua dentro de mim

Incrivelmente, mesmo depois dos oito meses que minha avó partiu ela continua totalmente presente dentro de mim. Desde o enterro, entendi que levaria isso numa boa: doce ilusão.

Mesmo depois da morte de Dercy, que já havia acabado com minhas ilusões de imortalidade, com um pensamento infantil chego à conclusão que não entendemos a morte, mas existem outras coisas que realmente não entendemos e nós ainda temos que fazer o melhor que pudermos com o conhecimento que temos.

Nos atrasos do aeroporto ainda me dá vontade de ligar para ela e ouvir o seu “alô” com sotaque nordestino inconfundível mesmo depois de quase sessenta anos no Rio de Janeiro. E somada a saudade tem a frustração de não ter podido retornar em todos estes anos à sua terra natal. E neste turbilhão de lembranças de frente para a sala de embarque me lembro das suas histórias carregadas de orgulho das lindas praias de Aracaju.

Parece que é mentira, e que daqui a pouco vou pra casa dela comer purê de batatas com feijão, e cuscuz, e doce de banana. E ela vai reclamar que eu não fui lá na semana passada mesmo sem ter dito que iria.
E agora eu não tenho mais avós, mas não faço dramas: aproveitei bastante a minha, comi muito peixe com coco, ganhei muito presente e muito colo, vi muitas fotos em preto e branco, ouvi muitas histórias - tive uma vida completa de neto, com tudo o que ela pode reservar.

Mas para mim, isso ainda é mesquinho ou arbitrário.